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segunda-feira, 14 de maio de 2012


Caminhos para alfabetizar letrando.
Como já foi explicitado em oportunidades anteriores, tempos atrás o fazer educativo era diferente e as preocupações desse fazer também tinham outros rumos: à escola cabia uma educação em que o que contava era o conhecimento a ser transmitido e assimilado e a alfabetização se constituía na aquisição do alfabeto levando à habilidade de decodificar conhecendo e articulando sons e letras (LEAL, 2003:22).
Nos dias de hoje, esse fazer educativo precisa se situar no contexto de um novo século em uma sociedade em constante mudança onde a todo o momento surge uma nova tecnologia ou inovações nas já existentes. Portanto a alfabetização pautada apenas na decodificação não responde mais os reclames dessa sociedade em movimento. É preciso decodificar mas, ir além e legitimar conhecimento e prática de vários tipos e portadores de textos que atendam a vários usos e funções nessa sociedade. Não e uma coisa só e nem outra, mas uma e outra.Visto dessa forma pode-se constatar então que “a escola hoje teria como uma de suas funções  alfabetizar na perspectiva do letramento” (MACEDO,2001:18), tendo letramento como um fenômeno que surge a partir das mudanças e transformações sociais em torno do uso das funções da leitura e escrita na sociedade. Fenômeno este, para além da alfabetização determinada como domínio do código da escrita através da codificação e decodificação. Este fenômeno para além surge da necessidade de se fazer uso adequado às mudanças em torno da leitura e da escrita e suas práticas sociais como aprender a encontrar a informação no material escrito, no portador do texto e posicionar criticamente diante dele. (2001:18).                                 
Alfabetizar na perspectiva do letramento pode ser entendido como alfabetizar letrando,
... o ideal seria alfabetizar letrando, ou seja: ensinar a ler a escrever no contexto das práticas sociais da leitura e da escrita, de modo que o indivíduo se tornasse, ao mesmo tempo, alfabetizado e letrado. (SOARES, 1998:47).

Dentro disso, letramento não e um método nem um novo modelo pedagógico. É um comportamento que precisa ser mediado e fundamentado em métodos de ensino e estratégias e posturas pedagógicas; é uma concepção que vai gerar atitudes e direcionamentos ao fazer pedagógico (LEAL, 2003:23).
Para que a alfabetização aconteça na perspectiva do letramento a escola (ou órgãos superiores) deve possibilitar que os professores e demais profissionais da educação responsáveis pela formação de alunos desenvolvam os saberes, habilidades e as competências que pretendem alcançar nos alunos, ampliando o conhecimento teórico a respeito da leitura e escrita. O professor precisa aprender para saber ensinar, isto é, ter acesso à formação permanente e continuada e a saberes didáticos capazes de mobilizar, nos seus alunos, o desejo de ler e de escrever (LEAL,2003:24).
Em conformidade com as considerações acima, MACEDO reconhece que para alfabetizar  letrando “o professor desempenha um papel fundamental no processo de apropriação, apontando e nomeando aspectos do sistema de escrita que não seriam percebidos espontaneamente” (2001:21).  Dessa forma, cai por terra a idéia de que ninguém ensina nada a ninguém, porque espontaneamente também não se aprende; é preciso mediação bem fundamentada com atitudes e práticas pedagógicas com atividades bem direcionadas (2001:21).
Sabendo que o professor exerce um papel determinante no processo de alfabetizar letrando e que essa apropriação não ocorre da mesma forma para todas as crianças, dado ao conhecimento prévio que trazem como bagagem e a diversidade das práticas de ensino da leitura e escrita, é necessário que:
... as redes de ensino enfrentem três problemas que têm evitado enfrentar: o professor alfabetizador precisa ser um dos mais capacitados da escola (ele precisa, portanto de uma adequada formação); precisa também ser um dos mais valorizados da escola (ele precisa, portanto, de um estatuto diferenciado); é necessário reorganizar a escola e os tempos destinados ao trabalho coletivo, em equipes de professores e coordenadores (o professor não é o dono de sua sala, mas alguém que responde, com o conjunto da escola, pela alfabetização de suas crianças) (BATISTA, 2003:13).

            Os três problemas apresentados pelo autor são de grande relevância não só para a alfabetização, mas para todo o processo educativo, porém para a alfabetização na perspectiva do alfabetizar letrando, se tornam indispensáveis e urgentes. Isso se a escola pretende continuar sendo o lugar por excelência onde o conhecimento é construído e sistematizado.
             Se o professor alfabetizador precisa ter um saber específico e especializado na área e que o trabalho deve ser planejado e realizado em equipe, nada mais correto que ser disponibilizado pelas redes de ensino tempo para estudo, troca de experiência, enfim formação continuada e educação permanente e nada mais justo que a valorização desse profissional tanto pela rede de ensino, quanto pela escola e equipe de gestores.
             Alfabetizar letrando supõe dar aos sujeitos alfabetizandos diferentes maneiras de ler e escrever pelo fato de que circulam na  sociedade diversos tipos e gêneros textuais e estes contemplam variações de suportes (jornais, livros de literatura, livros de informações, revistas diversas, vídeos, documentários) e que, consideradas as especificidades lingüísticas e diferentes interlocuções, também contemplem variação de mídias (rádios, internet, televisão) (LEAL, 2003:23). Essas maneiras não se resumem apenas em fazer conhecer, mas em estimular a prática e utilização desses diversos tipos  e gêneros.

Referências:

BATISTA, Antônio Augusto Gomes. Analfabetismo na escola!? Caderno do Professor. BH. Nº11 – dezembro de 2003.

LEAL, Leiva de Figueiredo Viana. Alfabetização e letramento: contribuições para a prática pedagógica. Caderno do Professor. BH. Nº11 – dezembro de 2003.

MACEDO, Maria do Socorro Alencar Nunes. Desafios da Alfabetização na perspectiva do letramento. Presença Pedagógica. BH: dimensão; v.7 Nº37 – jan/fev. 2001. p.17 a 23.

SOARES, Magda. Letramento: um tema em três gêneros. BH: Autêntica, 1998. 125p.